12 · 11

nomes e apelidos

Queria um dia ficar conhecida como a “bonequinha” ou a “princesinha”. Só um dia. Ou dois. Ou vários.

Bom, talvez para sempre, mas algo me diz que já é meio tarde.

Normalmente fico conhecida como “locomotiva”, “furacão”* ou outras coisas que permitem ambigüidade de interpretação positiva-negativa.

*= este último me incomoda um pouco mais desde a mini série Hilda Furacão. Neste caso, quando me chamam de “Fernandinha Furacão” nunca sei se estão se referindo ao fenômeno natural, a uma possível semelhança com Ana Paula Arósio (Pouco provável e com grandes chances de, caso ocorra, tratar-se de ironia profunda) ou simplesmente me chamando de puta, dado as características da personagem da atriz supra citada.

Nada contra esses apelidos, só queria alguma vez ser apelidada de alguma não atropelasse ou matasse ninguém.

Eu sei que é muita energia. Estou sabendo que rola um excesso de velocidade, uma certa imposição do meu ritmo e até de levinho uma desconsideração pela individualidade de cada um, massssssssssssss geeeeeeeentttttttte... um furacão é uma CATÁSTROFE! Acaba com a vida das pessoas, gente...

E... uma locomotiva? Ai... Se é para “metaforar” que vou guiar as pessoas, podiam me chamar de “estrelinha” ou se é para dizer que vou atropelar alguém não podia ser uma Ferrari? E mais: se for para carregar muita gente (vamos dizer que queiram elogiar um lado motivador meu), com possibilidade de “atropelamento”, pode me chamar de transatlântico chique ou avião! Eu sei, os atropelamentos não seriam atropelamentos propriamente ditos, mas super mantém a idéia de possível acidente só que com m-u-i-t-o m-a-i-s G-L-A-M-O-U-R!

Apesar de tudo isso, confesso que apelidos não são muita coisa. Apelidos são só apelidos, certo?

Na pior mesmo está aquela galera que tem um nome esquisitésimo e dispensa apelido, não é mesmo?

Dia desses estava lendo a listinha abaixo... Detalhe: segundo a fonte, TODOS OS NOMES FORAM TIRADOS DA LISTA DO ANTIGO INPS (comentários por mim)...

> Abxivispro Jacinto (oi?)

> Acheropita Papazone (imagina ela na night... e aí, gatinha, qual é o seu nome?)

> Agrícola Beterraba Areia Leão (Esse veio da terra!)

> Alce Barbuda (irmã do Veado Bigodudo)

> Amin Amou Amado (Melhor que Assim Assou Assado)

> Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado (E eu achava que ter uma amigo “Diego Caumo” já era demais...)

> Antônio Querido Fracasso (Já nasceu um sucesso!)

> Antonio Treze de Junho de Mil Novecentos e Dezessete (E a mãe nunca esqueceu seu aniversário...)

> Antônio Veado Prematuro (Sério?)

> Ava Gina (Na fonte dizia que era uma homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida, mas eu acho que a homenagem era outra... foi o pai que registrou? )

> Bananéia Oliveira de Deus (Homenagem ao papai...)

> Barrigudinha Seleida (Esse seria um bom nome para mim...)

> Bende Sande Branquinho Maracajá (Essa combinação eu queria entender...)

> Benedito Camurça Aveludado (Homenagem à mamãe...)

> Benedito Frôscolo Jovino de Almeida Aimbaré Militão de Souza Baruel de Itaparica Boré Fomi de Tucunduvá (...)

> Bispo de Paris (Opa! Esse já nasceu com título)

> Bizarro Assada (Homenagem à mamãe 2...)

 > Brandamente Brasil (Ainda bem que não é intensamente)

> Brígida de Samora Mora Belderagas Piruégas de Alfim Cerqueira Borges Cabral (... 2)

> Bucetildes (Quanta sutileza)

> Carabino Tiro Certo (Aposto que esse foi de primeiraça tentativa)

> Céu Azul do Sol Poente (Criança e poesia)

> Chevrolet da Silva Ford (Unindo a concorrência)

> Colapso Cardíaco da Silva (É que o parto não foi muito tranqüilo...)

> Comigo é Nove na Garrucha Trouxada (Filho do cangaço...)

> Crisoprasso Compasso (Bebê aliteração)

> Deus Magda Silva (Só na humildade...)

> Disney Chaplin Milhomem de Souza (Internacional...)

> Dolores Fuertes de Barriga (Hahahaha... valeu a tentativa de disfarçar...)

> Éter Sulfúrico Amazonino Rios (Sempre o preferido dos professores de química)

> Faraó do Egito Sousa (Ahm... tá.)

> Felicidade do Lar Brasileiro (Apelidado de 13º pelos mais íntimos)

> Graciosa Rodela D'alho (Odiava brincadeira de rima)

> Hypotenusa Pereira (mãe dos gêmeos catetos)

> Ilegível Inilegível (o pai tinha anotado o nome no papel e...)

> Izabel Rainha de Portugal (Sempre bom explicar a inspiração...)

> Jacinto Leite Aquino Rego (Isso é impossível}

> Janeiro Fevereiro de Março Abril (Alô Alô realengo, aquele abraço!)

> João Cara de José (Foi impossível escolher um só)

> José Xixi (esse foi o filho número 1...)

E por aí segue a lista... não quis colocar tudo aqui também porque esse não é o tema da conversa.

Isso porque ainda quero abordar mais um tema com vocês...os nomes que já possuem tom de apelido embutidos.

Eu explico: todo nome que teve alguma propaganda ou filme famoso envolvendo os mesmos, já passa tom de apelido, e, dependendo de o quanto o personagem tenha ficado famoso, a pessoa fica fadada a ter seu nome exclusivamente pronunciado daquela forma.

Veja lá no trabalho: um dos meus amigões de lá se chama Wilson. Isso quer dizer que inevitavelmente ou ele é chamado de Senhor Wilson (com entonação Denis o pimentinha) ou ele é chamado de Wilson com entonação do náufrago desesperado. Sério. Já perdi a conta de quantas pessoas passam pelo corredor e “Wilsoooooooooooonnnnnnnn”.

Ai, coitado... que saco.

Que nem quem se chama Alfredo (Alfredooooooooooo, como no comercial de papel higiênico) ou Fernando (Que precisa ouvir toda vez que vai com uma camisa diferente o bordão “bonita camisa, Fernandinho”.... eu, que sou Fernandinha já perdi  a conta de quantas vezes ouvi essa parada.

E o problema dessa entonação nos nomes é que é impossível evitar. Vocês estão vendo pelo meu texto que eu absolutamente desprezo essa prática, mas, por exemplo, não consigo evitar de pensar (e às vezes verbalizar) toda vez que meu irmão fala do amigo dele Ebert (ou Hebert ou Erbert ou Herbert... eu sei lá) lembrar da Gal Costa no acústico MTV chamando o Herbert Vianna!

Então é o meu irmão falar no Ebert (ou Hebert ou Erbert ou Herbert) que eu lembro da voz estridente da Gal: “Herbert Vianna”. Ao que se seguem os aplausos. Ele agradece e começa a entrada de “lanterna dos afogados”. “Quando ta escuro... e ninguém te ouve...” Isso pode durar pelo menos uns 30 segundos na minha cabeça... Você podem conferir se estou falando mentira no link abaixo... meu pai colocava esse CD direto quando íamos para a Barra e essa sequencia solidificou dentro de mim.

 Enfim, acho que é isso pessoal (honestamente eu não sei qual é a moral da história de hoje, mas vou tentar). Sejam amigáveis nos apelidos, nas entonações e tenham bom senso na hora de nomear os filhos. Isso fará um mundo melhor.

Até a próxima! J

12 · 10

contagie

Minha mãe está sem empregada e por isso tenho dado uma força na limpeza. Todo sábado de manhã é a mesma coisa: vassoura, panos e produtos de limpeza em punhos para limpasr quartos, banheiros, cozinha, sala...

Normalmente fazemos isso juntas, mas no último sábado minha mãe tinha um compromisso, então peguei tudo e fui limpando a casa sozinha mesmo.

Minha mãe, antes de sair de casa, ficou incomodada com aquilo e disse: “não quero você todo final de semana limpando a casa toda. Não é justo! Você só vem para cá final de semana e vai ficar limpando?”

Respondi a ela que ela também não usava minhas roupas mas as lavava mesmo assim, então que a questão de justiça era muito relativa.

Eu, como libriana que sou, tenho senso de justiça apurado e dei essa resposta meia boca porque sabia que ia colar, mas, no fundo, eu nem acho que eu deveria fazer isso ou aquilo porque é justo.

Na verdade, em termos de justiça com minha super mãe e meu super pai, eles merecem absolutamente tudo. Pelo que eles já batalharam e fizeram por mim eles poderiam agora simplesmente sentar em uma cadeirinha e ficar pedindo para eu abanar ele e trazer limonada que seria justo. Mas a questão não é essa. Não é justiça ou gratidão. Quer dizer, é também, mas não é “SÓ” isso.

Eu sei o que você está pensando: Não entendi, Fernanda... Então qual é? Masoquismo?

Não é masoquismo, é uma questão de crença. Eu acredito que excelentes comunidades não se criam a partir da cada um fazer o que é “justo”, excelentes comunidades se formam quando cada um dá o seu melhor, verdadeiramente e altruistamente.

O justo não funciona porque é subjetivo, porque as pessoas são diferentes, porque tem gente que acha que justo é dividir igual, porque tem gente que acha que justo é dividir diferente, porque o justo só garante que O SUFICIENTE será feito.

Justo passa a idéia de obrigação e de direito, o justo é... justinho.

Quando há aquele amor incondicional e generoso que faz com que a gente dê o nosso máximo... é diferente. Mas para isso precisa ser de coração mesmo, não dá para querer fazer disso moeda de troca. Por isso costumo aconselhar que as pessoas façam o máximo possível sem que se sintam exploradas. Porque fazer tudo e depois se vitimizar, não está com nada e só traz problema.

Outro dia li uma coisa legal...sobre a origem da palavra sacrifício que eu nunca tinha parado para pensar... que é sacro + ofício... ou seja... trabalho sagrado... é claro que talvez como isso envolvia matar animais e outras coisas não tão legais a palavra tenha ficado meio associada À dor, mas assim, em sua essência, ela é bem legal.

Pena que ela está caindo cada vez mais em desuso... coisas dessa sociedade ultra rápida e bastante hedonista-individualista-imediatista que esqueceu o que é batalhar por uma coisa, e, principalmente, o que é trabalhar pelo todo.

Cara, não estou aqui dizendo que sou nenhuma madre Teresa de Calcutá, mesmo assim procuro fazer as coisas em prol do bem de todos pq realmente entendo que isso vai fazer o grupo ser melhor e, logo, eu vou ser melhor. Dentro daquele limite que é: se eu começar a me vitimizar... bam! Sei que é hora de parar. Se estou achando que alguém está em dívida comigo pq fiz isso ou aquilo... bem, não deveria ter feito.

Esse pensamento aí, apesar de ser um detalhe, é a coluna vertebral de comunidades grandiosas: as pessoas percebem se você faz tudo para aparecer ou para ter coisas em troca ou se você faz as coisas porque verdadeiramente acredita que aquilo é importante. É verdade. Se tem uma coisa que aprendi é que ninguém resiste a uma generosidade sincera e consistente.

E não tem coisa mais mal sucedida do que falsa generosidade.

De qualquer forma, como todo exercício de auto desenvolvimento, é um exercício. E de quando em quando fazemos uma ou outra coisa meio convencido, meio se forçando, para vermos como iremos nos sentir, o que aquilo vai trazer, se aquilo irá nos prejudicar.

É assim mesmo.

Dá trabalho, dá desgaste, mas tem uma coisa: generosidade contagia. Você não vai contagiar todo mundo e seu mundo vai ficar cor de rosa de repente. Vai ter gente se aproveitando da sua generosidade, vai ter gente que não vai se comover, mas... quem liga? No final, se temos a consciência de que não estamos fazendo isso por nós ou por ninguém especificamente, mas pelo bem de um todo, como se fosse mesmo um outro organismo, esses desvios não fazem diferença.

E para falar a verdade eu nem sei se esse tópico interessou a todo mundo, mas era sobre o que eu estava com vontade de falar (viu? Eu tb tenho meus egoísmos... heheh...). Essa semana foi uma semana intensa em presenciar agradecimentos e mudanças, então...

Obrigada e até a próxima! J
12 · 03

uma de amor

Acabei de ver “Enrolados” no Telecine. Adorei... Chorei...

O que dizer? Eu amo os filmes da Disney. Clichê... a menina que gosta das princesas...ahhhhhhhh

E o pior é que quem me vê no dia-a-dia toda desbocada, despachada e metida a racional, não imagina como o meu mundo interno é cor-de-rosa. Pois ele é rosa bebê com dourado e umas pedrinhas. Muitas pedrinhas. Brilhantes.

Eu poderia até dizer que todas as meninas tem isso dentro de si, em algum lugar, mas isso seria pasteurizar todo mundo, e há de ter pessoas diferentes por aí, massssssssssss, do que eu conheço, 99% das mulheres tem pelo menos um comodozinho rosa dentro de si, não importa o quão durona ela seja.

Mas nem é sobre isso exatamente que eu quero falar. É quase isso. Então... filme da Disney, Romance, e claro... o momento do beijo! Owwwwnnnn

E aí lembrei que há muitos anos atrás, no auge da minha pré-adolescência (Sei lá se tem hífen) eu fiz um dos muitos testes que a Capricho proporcionava sobre seu tipo de romance ou beijo ou whatever. Detalhes não ficaram gravados... A única coisa que eu lembro era da imagem que descrevia o meu “estilo”: era uma menina com os braços dobrados, mãos fechadas próximas ao queixo e o rapaz a envolvia com os braços por fora, como se fosse um beijo “forçado”, mas o descritivo explicava que não era um beijo forçado, era só uma coisa da mulher mais frágil sendo meio que envolvida.

Na época eu era toda metida a independente, no melhor estilo homem só serve para abrir vidro d epalmito, e, como eu não como palmito, não preciso de homem... sabe como é? Bom, eu devia ter uns 14 anos, então era até bom que eu me sentisse assim... Mas o fato é que eu achava que, ainda por cima, se eu precisasse de um homem – ahm-ahm—ahm  (coloca uma entonação queen latifa aqui por favor) – eu que ia ser o dominante da relação.

Ai... hoje eu até rio da situação. Primeiro porque esses teste seram mesmo uma piada, segundo por eu lembrar de tudo isso, mas, principalmente, porque a figura hoje faz muito sentido para mim. Não no sentido de fragilidade, mas no sentido de uma menina romântica que adora ser surpreendida. A falta de preparo para o beijo, os braços dobrados e as mãos fechadas, uma coisa “forçada” não pela falta de vontade, mas simplesmente porque foi surpreendia... porque chegou o momento e o príncipe – plau – deu o beijo! Ai ai... muitos suspiros...

E o que tudo isso tem a ver? Bom, essas princesas modernas partem para o beijo, rapaz.... é a única coisa que estranho nos filmes de hoje em dia. Para mim só existia dois tipos de beijo de princesa: aquele consensual, quando o mundo pára, a cena dá close e toca a música especial, ou aquele “roubado”, como da cena desenhada na capricho, e nos filmes faz aquele close nos olhos da princesa fechando, a música pára, muito rápido e depois vai afastando a cena, a princesa com cara de “chocada”, mão nos lábios, sem saber o que fazer, close nos olhos do príncipe meio abobalhado, apaixonado... sabe como é? hahahahha

Bom... é claro que eu devo imaginar que eu não sou mais o público alvo desses filmes e que deve estar cheio de menininha de 9-10 anos com a mesma atitude que eu tinha de estalar os dedos e o “mundo é meu”, eu conquisto, eu pego, eu beijo.

Admirável, mas não faz mais minha cabeça. Já fui assim... Hoje em dia eu prefiro ficar na minha, me fazer de difícil e deixar meu namorado me conquistar de novo. E de novo. E todos os dias.
Disney, se quiser tô vendendo roteiro. A princesa da Tijuca...não garanto muito o palácio ou uma história com magia, mas o príncipe tá firmeza! :) hehehehe...
11 · 28

Logo ali no Ximing: o Facebook e o Duplo angélico

Eu sei que metade da galera ficou com um grande ponto de interrogação com o último post. Eu explico: estou cogitando seriamente o facebookcídio. Isso quer dizer acabar com a minha vida no facebook.

Por quê?

Bem, o primeiro ponto é que, como toda droga (coloque aqui a entonação de trocadilho), vicia. Vamos falar sério: não há conteúdos de alta relevância nem nenhuma imagem de alto impacto estético. Então... entertaining? Sometimes... Really relevant? Never.

A segunda parte da argumentação reside no fato de me deprimir. Por quê? (ah, essa pergunta danadinha...) Porque no facebook todos parecem ter a vida mais que perfeita.

Meu namorado, homem culto no “úrtimo”, me explicou que no facebook as pessoas reproduzem não a si mesmas mas a seus duplos angélicos.

Eu explico:  

“Duplo angélico é um termo que René Girard criou para designar a versão perfeita de você mesmo que você gostaria de projetar. Uma das primeiras características do duplo angélico é que ele é um modelo, isto é, ele afeta sem ser afetado. Ele não recebe prestígio de ninguém, ele apenas confere prestígio. O duplo angélico não é um objeto. Veja a diferença entre a fotografia de moda para mulheres e a fotografia de mulheres para homens. Na fotografia de moda, as mulheres são modelos: estão representando um mundo perfeito e estão lá para ser admiradas, afetando quem as vê sem ser afetadas.” (retirei de: http://www.pedrosette.com)

E aí?

E aí que isso me irrita um pouco, mas principalmente, como contadora de histórias, faz com que eu me desinteresse profundamente pelos temas abordados lá pelo facebook. História tem que ter conflito, tensão. E a vida... bem, a vida é uma história... precisa de todos esses elementos, todas essas nuances.

É claro, tem quem compartilhe seus conflitos. Aliás, normalmente as pessoas que resolvem partilhar suas agruras tendem a só fazer isso. Fazem do face um super balcão de reclamação. E aí... bem, e aí que saco esse tipo de gente nuvem negra. Inclusive, independente de se tratar de histórias de tristeza, o duplo angélico permanece, pois, essas pessoas são sempre as vítimas de um mundo cruel e injusto.... e claro, como já descrito anteriormente, postam suas feridas, vomitam suas reclamações via face sempre afetando e sem ser afetado.

Tudo isso já seria o suficiente para cogitar um facebookcídio, mas piora: com essa ferramenta, as pessoas passam a substituir suas relações reais por mensagens e posts no facebook. Oras... meu medo no fundo é forçar minha saída e ficar ainda mais distante de todo mundo...

Enfim, enquanto isso, nos encontros da vida real, com pessoas da vida real, nada melhor do que um belo chopp (ou melhor, caipivodka pq era só para meninasssssssss) com as amigas – atividade que tive o prazer de realizar na sexta-feira.

E essa vida real que é dureza sempre é liberada com alguns goles de álcool. Por isso, para variar, sempre que há intimidade em uma mesa de bar, abrimos o coração para falar de nossos traumas.

Uma das minhas amigas tinha levado uma amiga linda de morrer e toda certinha: não bebia, não fazia nada. Achei que ela ia acabar se sentindo meio deslocada com as histórias, mas fomos com tudo, rindo e bebendo...

O TOP trauma da noite foi de uma amiga que foi ser Au Pair nos EUA (tipo uma babá), e, assim que chegou na casa em que iria trabalhar, a Au Pair antiga ainda estava lá, uma Venezuelana. No meio de um dos jantares da primeira semana, zero intimidade com a host family, a tal da Venezuelana vira para a minha amiga e diz: “Fulana, eu sempre ouvi dizer que as brasileiras eram bonitas e maravilhosas... o que aconteceu com você?”

KUEM KUEM KUEM KUEM

Ninguém merece!

A outra amiga foi contar que era super peluda na adolescência, mas sua mãe não deixava ela raspar – pq faria nascer mais grosso, nem depilar com cera – pq ela “não tinha idade”, o que gerava um problema insolúvel com o excesso de pentelhos. Por essa razão, ela sempre usava biquínis ,maiores e mergulhava correndo na piscina.

Um dia, visitando uma amiga com casa com piscina, esqueceu seu biquíni e pegou um emprestado da amiga, super pequeno. Ao sair do banheiro vestida e mostrar para a amiga já em tom de reprovação, a amiga desencanada correu para resolver o problema e, enfiando a mão lateralmente, tentava sem sucesso colocar os pelos para dentro do biquíni dizendo “dá para ajeitar, dá para enfiar para dentro...”

Depois de muito ajeita e puxa, conseguem fazer com que os pentelhos se acomodem no micro biquíni pelo menos até que ela entre correndo na água, como sempre. E o que acontece? Começa um tiroteio! Todos saem correndo da água, e a pentelhuda, óbvio, teve que esperar todos saírem, correndo risco de vida para não pagar o mico de ser Monga, a mulher gorila.

As histórias iam e vinham: um ônibus de estudante que gritava em coro “baleia” enquanto a pessoa andava na rua, ser apelidada de Elvis por conta das costeletas, Etc.

Tudo muito bom, tudo muito bem, até que mando uma profunda: “pior que o bullying físico era o bullying psicológico me chamando de chata”.

Pela primeira vez a garota certinha linda de morrer fala alguma coisa: “Pô, com certeza”. Caramba – eu pensei – o pior é que se ela não bebe, não faz isso, não faz aquilo, o bullying deve continuar até hoje. Fiquei com medo de ter causado um mal estar e voltamos a falar de qualquer besteira menos relevante.

Depois que ela saiu, perguntei para a minha amiga: “acho que ela não gostou muito de hoje...”

Minha amiga, já trêbada, respondeu: “não é isso. Ela gostou bastante para ficar esse tempo todo. É que ela é de Ximing”

“Ela é daonde?” – eu perguntei reforçando o papo bebum.

“Ela é di-xi-min-gui!” – Ela respondeu novamente.

“O quê? Ela é daonde?” – Insisti na pergunta, não conhecia aquele local.

“Ela é diximing! Tem dis-ti-mia!” – Ela respondeu irritada

“Ah, ela é distímica?” – mesmo sem saber o que era isso agora eu estava entendo os sons.

“Isso!” – ao que ela segui com uma breve explicação que agora substituo por outra oriunda da internet:

“DISTIMIA (ou Distemia)

Que doença é essa? Pelas características podem-se definir nomes e apelidos, mas é um transtorno neurocomportamental sério, principalmente devido às suas conseqüências psíquicas e psicossomáticas.

O primeiro sintoma do distímico é o mau humor constante. Segue-se a fácil irritabilidade, o emburramento, a intolerância e a mania de só ver o lado ruim de todas as coisas. E isso de forma permanente. O distímico consegue transformar tudo o que faz em obrigação e sacrifício.” (retirei de: http://robertoandersen.blogspot.com/2009/04/distemia.html )

Bicho, o bagulho é sério, eu pensei. Até que minha amiga falou que ela mesmo tinha diagnosticado a amiga durante a faculdade. Ah, esses estudantes de medicina...

Enfim, não lembro bem porque eu queria falar tudo isso neste post. Certamente existia alguma conexão em algum lugar que não lembro mais. Talvez a possibilidade de eu ficar “diximing” olhando o facebook. Talvez as pessoas “diximing” do facebook. Talvez a irritante doença do “anti-diximing” com as pessoas que ficam o tempo todo maravilhadas com a vida e dando bom dia, boa tarde e boa noite abusando nos pontos de exclamação. Sei lá. Enfim, nem tudo no face é ruim. Se eu tivesse timeline que nem ele, por exemplo, tinha terminado esse texto bem melhor.

E vamos que vamos...

Até a próxima! J

11 · 22

meio sem graça, mas vamos desenvolver o tema depois...

Hoje, poesia para começar a desenvolver um tema que está entalado acá na gargamnta.

Facebook

Ah, mas essas palavras...

Se empilham, não se encaixam

Tristeza

Risada

Enfado

Inveja

Saudade

Ora, mas vá entender

Muda o tempo, muda o ânimo, muda o post

Muda tudo

E não muda

A mania de ver palavras, normalmente embaralhadas

E nas palavras, a transparência da verdade

Ainda que sejam mentira

Pois ela também fica evidente

Nos melhores contos, ainda que ninguém conte

Alice não estranharia

No país das maravilhas

Também era ela que escolhia

O tamanho de si mesma

11 · 16

AQUELA ROTINA MANSA

Sexta-feira foi dia de girl´s night!

Eu e Felipe sempre cultivamos essa prática de termos alguns momentos apenas para nossos amigos, mas confesso que cair na night meeessssmoo já tinha mais de ano que eu não ia. Barzinho aqui, cinema acolá.... mas enfim chegou o dia da night (o trocadilho ficou engraçado).

Como estou por fora do que se usa, fui de calça jeans e blusinha, mas já vi que esse look ficou démodé. O negócio agora é ir de saia ou vestido, mas na minha época de solteira quem saía para a night de saia ou vestido era porque queria dar. Ou pelo menos levar uma dedada.

Coitada, não esqueço d euma amiga desavisada no meu aniversário de 21 anos no guapo... ela namorava há muito tempo e estava sem ir para nights... colocou uma saia toda romântica flop flop... e... olho arregalado neles! Aquele olhão do susto da invasão repentina de uma mão lá!

Mas esses tempos bárbaros pelo visto passaram. Hoje em dia a meninada sai toda “di-di sainha...” (como no funk) e aparentemente nada acontece... quer dizer... Tem gente que não importa muito o que está usando, né? Lá no show do monobloco que eu fui essa sexta tinha um cara que estava por trás da “namorada” (vou colocar assim para a cena parecer mais honrosa), aquele por trás colado à vácuo no bumbum da moça, com a mão na barriga dela. Mas aí eu olhei mais de perto e... ué, ele não tem dedo? Olhando mais de perto e... PASMEM, ele estava com metade da mão enfiada na saia da mulher, exatamente na região pubiana, exatamente no lugar da parada....exatamente no meridiano de greenwich! Eu choquei. Tudo isso em um lugar de passagem e muito bem iluminado. E vamos combinar, estava o maior calor e não tinha nem a desculpa de estar esquentando a mão...

Mas o meu choque com as nights de hoje em dia não parou por aí... antes de começar o show (que só iniciou UMA DA MANHÃ), fui no banheiro fazer pipi e tinha uma calcinha no lixo. Aí eu pensei: “gente, alguém mudou de idéia super cedo sobre aonde vai depois do show...”

Comentando com a minha amiga e com as pessoas, todo mundo tem a teoria de que a calcinha estava suja... gente, se a menina sujou a calcinha ela deveria ir para casa e não tirar a calcinha. Se ela sujou por motivos de sangramento, bem, quem tem essas coisas sabe que o fluxo é contínuo, então, a não ser que ela tivesse tirado a calcinha para usar de tampão, isso não era uma solução inteligente para o problema dela.

Se ela sujou a calcinha com uma freada... bem, que nojo.

De qualquer forma, apesar de não ter ficado manjando a calcinha na lixeira, pelo rápido relance que lancei sobre ela, ela parecia estar normal, o que me leva de volta à hipóteses um de que a moçoila desejava deixar sua periquita deliberadamente ao relento.

Olha, com todo o respeito às mulheres que andam sem calcinha... eu sou totalmente contra isso. A rua é um lugar sujo... e se a sua perna chega toda suja em casa da poeira, se até o seu rosto que fica lá em cima da cabeça chega todo empoeirado em casa.... bem... you do the math. Ou seja, juntar essa moda de sainha com essa moda de jogar a calcinha no lixo no meio da night tende a não dar muito certo.

As habilidades dos caras para chegar em mulher também estão cada vez mais infames. Vocês acreditam que um cara me cutucou, olhei e ele estava bem sério. Então até me dobrei para falar com ele, achei que tinha pisado no pé dele com meus pulos, ou algo do gênero. Quando me aproximei o suficiente para poder ouvir a voz dele, ele diz com uma voz de homem retardado das cavernas: “meu amigo quer falar com você” e aponta para o amigo que estava do meu lado, entre eu e ele.

Tipo... ahm? É sério isso? O cara manda o amigo que está mais longe me cutucar para falar que ele que está ali do lado quer falar alguma coisa? Nossa, mas nem se eu tivesse solteira e o cara fosse lindo-de-morrer. Com um approach desses não tem a mínima chance da coisa fluir.

Todas essa fortes emoções me fisgaram de volta para as lembranças de solteira e hoje acabei decidindo resgatar algumas crônicas das minhas intrépidas aventuras de solteira para ler e rir um pouco. Mais de quatro anos atrás... nossa, que diferença de cabeça, dos lugares que eu freqüentava... até das besteiras que eu falava.

E se fosse hoje em dia. Nossa, encho até o olho d´água de pensar. Toda essa confusão pode ser divertida agora, mas na época era decepção atrás de decepção... E ficar sem o lipe lipe então? Jisus, nem pensar!

E no final do dia, estou aqui, pensando e escrevendo, refletindo que, apesar de admirar a liberdade e o desapego da menina da perereca ao relento, prefiro minha calcinha vestida, meu namoradinho e minha rotina mansa.

10 · 30

sobre sensacionalismo

Agora que já passou a prova do mestrado eu posso voltar a escrever.

Também, melhor que eu não tenha escrito por esses últimos dias mesmo, ia matar vocês de tédio.

Sobre minha desintoxicação (deve ter gente querendo saber, se não tiver, conto mesmo assim afim de manter a continuidade do blog), depois que escrevi no blog no dia 01 do detox, passei ainda mais mal, tão mal que... bem, não teve dia 02 de detox, isso que importa.

Então, mais uma vez sem credibilidade nenhuma comigo mesma, desisti de um plano super fabuloso de emagrecimento, reforçando meu inconsciente de looser. Tipo: “sua gorda, não conseguiu nem seguir uma dieta de 3 dias”. Tranquilo, já estou acostumada.

Mudando de assunto (até pq o assunto dieta não teve mais nenhuma novidade, voltei a comer normal e continuo usando a calça extra que comprei... pensando em comprar mais uma...), hoje vi no jornal um blog de uma mulher que faz o maior sucesso pq ela fica falando sobre suas relações sexuais. Aliás, eu lembro bem de uma tal de Clarah Averbuck, que colocava as entranhas expostas em um blog e acabou em um filme que a Leandra Leal fez o papel dela. A coisa não era só sexo, mas era também. Entre outras apelações de coisa de gente sem papas na língua.

Confesso que nunca fui lá visitar o tal blog porque sempre morri de medo de me descobrir uma escritora igualzinha. Que precisasse de histórias bizarras, palavrões e muita auto exposição para ser lida. Hoje, quando li a reportagem no jornal de mais uma “exposta” que está emergindo e fazendo sucesso, voltou a me dar um embrulho na barriga.

Outro dia li um humorista dizer que o parâmetro dele era contar a piada para a avó (ou mãe, não lembro bem) dele... se ela achasse demais, ele reestruturava. Bom, se a minha avó ler o blog, coitada, eu vou precisar reestruturar ela toda, pq ela vai cair dura no chão.

Não sei explicar, a coisa começou pequena. Tinha mudado de trabalho e virado estagiária na TIM, mas amava meus amigos do antigo trabalho, então volta e meia escrevia para eles. Logo depois tomei um pé do meu ex e comecei a escrever contando algumas aventuras de solteiras... logo estava escrevendo quase toda segunda-feira para eles contando da balada do final de semana, até que conheci o Felipe e parei de escrever.

Nessa hora vi que provavelmente não tinha muito assunto mesmo e talvez não fosse uma boa escritora, mas sacudi a poeira e montei um blog sobre a saga de virar escritora. Cara, o blog sumiu do ar, um belo dia eu não conseguia mais acessar, sumiu até do histórico do Google. Aí dei mais um tempo e inaugurei esse aqui.

Com o advento do facebook e bombada por histórias chocantes, teve post com centenas de views em um ou dois dias... coisa de louco, que eu nunca tinha imaginado. Aí achei que minhas habilidades como escritoras estavam sacramentadas, mas, era só eu tratar de um tema mais sério ou poético para o views irem lá para baixo...

*Ai , ai...*

Bom, passei a selecionar um pouco mais o que trazer para o leitores, fugindo um pouco das reflexões e expondo mais o lado engraçado da vida... aí meu último post se apropriava de uma história de uma amiga de uma amiga... depois de ler, ela pediu para eu tirar... ficou com medo de um dia...vai que... e se...

E aí eu pensei: cara, ela está com vergonha da forma que contei a história da amiga dela. Ô, droga, meu medo virou realidade: tinha virado um blog sensacionalista.

E aí fiquei meio triste. No fundo, a vontade é nobre... divertir as pessoas... usar a história como pano de fundo para mostrar um talento literário que, a essa altura, já não sei mais aonde ficou.

Minha mãe sempre disse que o que não deve ser falado deve ser calado... Quando tiver uma filha vou aproveitar e fazer o reforço de minhas próprias lições aprendidas: “o que não deve ser falado deve ser calado...e também NÃO deve ser publicado”.

Ah, esses tempos de divã público na internet...

10 · 17

detox dia 01

Dia 01 do detox e agora de noite não aguentei tomar o suco.
 
Provável que começar o dia tomando sucos que tenham aipo, brócolis e outras coisas estranhas não tenha me feito muito bem. Ou então estou passando mal mesmo de abstinência do rehab. O fato é que o enjôo está grande e a vontade de vomitar enlouquecedora. Estou repensando este negócio.
 
Na verdade eu comecei a repensar desde o primeiro suco, mas há que se considerar a honra.
 
Mas, agora, ao final do dia e pensando nos 100 reais gastos em frutas e legumes... bem mais fácil teria sido comprar 3 calças novas dessas de 30 reais que eu adquiri em um tamanho bem maior para me caber. Ou comprar uma de 100 reais boa no tamanho maior e assumir um look mais redondinho.
 
Mau humor impera no momento e passei aqui só para registrar este momento.
 
Câmbio e desligo.
 
10 · 16

todo dinheiro é pouco para quem só sabe criticar

[Deletei a primeira parte do post a pedidos, não reparem a falta de continuidade do post]

 

Mudando de assunto completamente e voltando a um dos tópicos mais cotados do blog que é a minha gordisse, na volta para a casa da conversa com minhas amigas, estava eu andando tranquilamente sozinha pela rua quando passa um cara e fala para mim “aí, colega, emagrece aí porque você está muito gorda”.

Sério. Só tinha eu na rua. Foi para mim.

Eu sei, a primeira reação das pessoas é desqualificar o cara... tipo: “o cara é louco”,  “você não devia ligar para estranhos” e a clássica “era magro pelo menos?”.

E já aviso que o fato de ele mesmo ser gordinho e horroroso poderia até ajudar nesta linha de argumentação, não fosse pelo fato de ele ser um gordinho horroroso COM RAZÃO. Damn it!

Fiquei pensando pela gratuidade da ofensa na rua que só poderia ser Deus me dando o aviso de que o meu sobrepeso estava waaaaaaay beyond. Corri para calcular meu IMC e descobri que estou com sobrepeso e, se engordar 8 kg estarei “obesa” e se emagrecer 8 kg volto a ser “normal”. Isso porque vamos combinar que o IMC pega leve com a galerinha... É um testezinho beeeeeeeeem tolerante.

E nessa sequencia de fatos aconteceu o que eu temia: eu parei de caber até nas calças da minha mãe. Ó! :cO *shocked*

Então tomei as seguintes providências: 1) comprei uma calça de 30 reais vagabunda que me coubesse (eu estou gorda, mas preciso me vestir); 2) decidi fazer um rehab alimentar com um detox de 3 dias. Isso mesmo. Reabilitação + Desintoxicação. Agressividade.

Isso quer dizer uma dieta com uns sucos bizarros que levam até brócolis e aipo. *ai ai* Três dias. Eu consigo. E depois disso, dieta normal... reeducação... aquele caminho que a gente já conhece.

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Bom, sobre o babaca que me ofendeu na rua (ok, ele tem razão, mas é um babaca), após um sms meu revelando o ocorrido, ela disse que eu não me preocupasse, porque uma vez um cara tinha gritado no meio da rua para ela “você está ri-dí-cu-la com esse óculos!”, referindo a um óculos escuro estiloso dela. Eu retruquei que “bem, o óculos você tira e está safo, mas o que eu faço com as minhas banhas?”

Mas o fato é que as ofensas gratuitas a ela não pararam por aí. Eis que ela está olhando aquele twitter bobinho “tipos de biscat” e começam a insinuar que ela era biscate! É mole?

Diante de tantas evidências me senti na obrigação de elaborar hipóteses sobre ofensas gratuitas. Na ordem dos acontecimentos:

1)      Espelho incomoda – como no caso do gordo que me chamou de gorda;

2)      Vontade de aparecer ou falta de senso sobre seu papel irrelevante na vida das pessoas – como no caso do óculos, no qual p cara simplesmente não se deu conta de que a minha amiga não estava dando a mínima para o que ele pensava (este caso também pode ter sido causado por inveja diga-se de passagem... inveja ou aquela das uvas verdes... gostou da minha amiga, minha amiga não deu bola, preferiu ofender)

3)      Pensar que todo mundo é igual à você – como no caso da biscate ridícula que falou da minha amiga... provavelmente a carapuça vestiu nela e ela fez as conexões pq estava tudo na cabeça dela...

Fato é que, não importa muito o que fazemos, sempre tem gente urubolina para criticar de forma não construtiva.

[parte final do post também deletada a pedidos]

10 · 13

meia piada

Domingo foi dia de encontrar com as amigas do colégio militar.

Sei que muitos dos meus posts giram em torno do pantanoso universo da pré-adolescência (leva hífen? Como se escreve?) e seus traumas adjacentes, e que às vezes isso deve soar meio repetitivo, mas confesso que não me canso de redescobrir ou fazer releituras desses episódios macabros que ocorrem entre os 10 e 14 anos (para a maioria da população, mas esta faixa pode variar).

Desnecessário dizer o tema do posto, certo?

Então neste domingo que passou, lá estávamos, as quatro barangas (acho que já contei que na época de colégio eu pertencia  a um grupo entitulado “barangódromo” – pasmem – entitulado pela minha mãe*), relembrando como éramos verdadeiras palermas patéticas em nossa fase pré adolescente.

*NOTA: QUANDO ATÉ A SUA MÃE TE CHAMA DE BARANGA, NÃO EXISTE MAIS ESPERANÇA.

A votação, é claro, é sempre pelo maior mico, quando, pela milionésima (17 anos de amizade é isso) vez, repetimos os mesmos micos, mais ou menos na mesma ordem, já que há que se considerar a hierarquia dos mesmos. Os meninos pelos quais nos humilhamos, os episódios mais vergonhosos, as escolhas erradas.

Mas,volta e meia, surge uma ou outra surpresa... e dessa vez surgiram dois novos episódios que atualmente disputam lugar no ranking dos top 5 momentos vergonhosos, sem fazer feio! A amiga que relatou o episódio disse que durante anos ela nem conseguia verbalizar o ocorrido diante do constrangimento do fato, mas que agora, já liberta do fato, poderia nos contar e rir da situação.

Este primeiro relato se referiu a uma viagem à Cabo Frio com a “galera”, aquele bando de pirralhinho junto com alguma mãe santa que se responsabilizou por todos, todo mundo feliz de estar longe do pai e da mãe, tralalala, todo mundo animadinho, todo mundo afim de uma farra  e, uma das minhas amigas, menstruada.

Vocês sabem, pré adolescente menstruada na bagunça com a galera é o caos! Perde a hora de trocar o absorvente, aí o sangue acaba vazando e daí para terminar com uma calcinha suja e sem poder lavar e pendurar no varal para não expor o fato é um pulo. Bem, foi isso que aconteceu e lá estava a calcinha suja da minha amiga rolando pela mala.

Em um dos momentos de correria, ela resolve tirar tudo da mala para procurar alguma coisa, e, depois de encontrar o objeto desejado, começa a “encafuar” tudo novamente na mala. Ela fecha a mala e logo em seguida um de nossos amiguinhos deita ao lado dela para conversar.

Uns segundos depois ele comenta, “nossa, tem alguma coisa na minha barriga incomodando...” e eis que ele puxa... a calcinha suja! Ele, arregalando o olho e em estado de choque, ficou mudo. Minha amiga deu um berro “me dá isso aqui, garoto!” e rapidamente enfiou o material na mala.

Ele colocava a língua para fora, contraía a barriga e passava a mão como quem limpa sua barriga, simulando um estado pré-vomito, enquanto minha amiga tentava recuperar sua cor normal, já que todo o sangue tinha corrido para os músculos, já que o corpo dela, diante de tamanho medo (da revelação pública do fato constrangedor, eu suponho), tinha ativado o mais primário instinto animal “ataque ou fuja”.

Ele e ela em silêncio, sabendo que o silêncio seria o melhor caminho para ambos. E assim foi, até este domingo, quando ela teve coragem de abrir o jogo.

A segunda história, talvez um pouco menos constrangedora, mas certamente mais envergonhante, foi o relato de quando uma delas aloirou seu bigode pela primeira vez. Aloirar os pelos era prática comum há alguns anos, como se fosse um passo antes da depilação, se ao aloirar você ficasse parecendo um homem loiro, então você deveria depilar.

Mas o fato é que minha amiga, com um bigode-penugem típico de pré adolescentes, optou por aloirar e isto tinha sido o suficiente para deixa-la com outro rosto. Então, quando ela chegou no colégio na segunda-feira, com um pouco mais de auto estima já que tinha se livrado do fardo de possuir um bigode, o menino que ela era afim estava conversando com ela, e olhando para a boca dela, falando com ela e olhando para a boca dela, e, antes que ela pudesse se sentir sexy ou dona de lábios sedutores, ele fala em voz alta: “Você aloirou seu bigode? Cara, ficou bom!” e complementou gritando e convocando mais pessoas: “Fulano! Vem ver o bigode dela se não ficou bom! Ela pintou!”.

Enfim, a despeito de o quanto as histórias tenham afetado suas protagonistas nas ocasiões em que ocorreram, agora todas nós estávamos em uma mesa, rindo da situação.

Diante de tudo isso acabei ficando bastante reflexiva...

A primeira moral óbvia de todo o relato é a de que a pré adolescência é realmente uma merd*. Mas não é esse meu ponto.

O segundo pensamento que emerge é que nunca conhecemos ninguém em sua totalidade. Meio clichê, mas depois de mais de dez anos ainda temos novas histórias velhas para contar... isso é realmente impressionante.... mas também não é esse meu ponto...

O principal que desejava expor com tudo isso é que simplesmente não deveríamos nos levar tão a sério. Vou pedir permissão para mais um clichê, mas, no fundo, o tempo realmente apaga e modifica tudo, e, as coisas que hoje te chocam ou te deixam realmente preocupada, dentro de alguns anos farão cócegas – literalmente.

Por isso, não deveríamos nos encarar como entidades, corporações. Deveríamos mais nos encarar como uma idéia, daquelas bem vagas e bem fáceis de mudar e revisitar de quando em quando.

Essa merd* de “marketing pessoal” fez todo mundo acreditar que é o que parece ser e que não importa ser se não aparecer. Fica todo mundo super valorizando esse negócio de reputação, da face social. É claro que um certo polimento e algum conhecimento sobre o modus operandi social ajuda a se arrepender menos depois, mas o melhor mesmo é viver e dimensionar as coisas do tamanho correto delas. O que é importante (a moral, a ética, etc.), tudo isso continua lá, realmente contando para a sua história de vida e reputação. O resto, é piada que já vem pronta, é só você interpretar da maneira correta. Eu mesma aprendo cada vez mais a rir de mim mesma.

Ser sério, maduro e se respeitar não tem nada a ver com controlar tudo que vão pensar de você e guardar suas histórias a sete chaves...

Para mim, tem muito mais de aceitar a falta de controle sobre os diversos aspectos da vida e aprender a aprender (de preferência com algum senso de humor). E se no meio do caminho  tiver um pouco de drama, um pouco de terror (como as histórias que compartilhamos hoje), também está valendo. Para bom vivedor, meia piada basta.

Fernanda Sarmento

Mulher, amiga e neurótica. Escritora como plano B de vida e plano A no coração. Acima de tudo, uma contadora de histórias.